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Funcionários da Blue Origin expressam preocupação com segurança dos veículos



Na manhã desta quarta-feira (13), a Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, realizou seu segundo voo tripulado. Quatro pessoas estavam a bordo da cápsula New Shepard, que partiu às 11h50 (horário de Brasília) de uma base no Texas. A viagem durou cerca de dez minutos e proporcionou aos viajantes a sensação de gravidade zero por quatro minutos. William Shatner, que interpreta o Capitão Kirk no filme Star Trek (Jornada nas Estrelas), estava entre os tripulantes. Com 90 anos, o artista se tornou a pessoa mais velha a ir ao espaço.

No dia 30 de setembro, um grupo de 21 funcionários e ex-funcionários da Blue Origin divulgaram uma carta, publicada no site de denúncias Lioness, expressando preocupação com a segurança dos veículos da empresa. O documento também foi enviado à Administração Federal de Aviação americana (FAA), que regula os aspectos da aviação civil e transporte espacial nos EUA.

No texto, o grupo explica que há uma demanda de trabalho muito grande para uma equipe pequena, o que sobrecarrega funcionários. Além disso, os recursos disponíveis também são escassos para suprir as necessidades - e pedir mais orçamento para os projetos não é algo visto com bons olhos. Os autores dizem que não se sentiriam seguros em viajar em um veículo da Blue Origin. De acordo com eles, em 2018 foram feitos mais de 1.000 documentos relatando problemas nos foguetes da Blue Origin, que nunca foram resolvidos. 

De acordo com os autores, a nova corrida espacial entre Jeff Bezos (Blue Origin), Elon Musk (SpaceX) e Richard Branson (Virgin Galactic) é a principal culpada pela situação. Em 20 de julho de 2021, Bezos realizou o primeiro voo suborbital a bordo da cápsula New Shepard. Branson havia viajado no VSS Unity pouco antes, em 11 de julho. Elon Musk não foi ao espaço, mas enviou civis em sua cápsula Dragon em setembro deste ano. 

Situações sexistas também foram relatadas: quando mulheres apontavam para falhas dos veículos, elas eram rebaixadas. Alexandra Abrams, que trabalhou no departamento de comunicação da Blue Origin de junho de 2017 a novembro de 2019, foi a única a assinar a carta de denúncia. Em entrevista à emissora americana CBS, a ex-funcionária contou que chegou a abordar a gerência para falar de problemas de segurança relatados pela equipe técnica, mas foi repreendida. 

Os autores da carta descrevem um ambiente machista, em que homens em posição de poder são constantemente inadequados com mulheres. No texto, é dito que um dos executivos da empresa foi denunciado ao setor de recursos humanos diversas vezes por assédio sexual e mesmo assim subiu de posição na empresa. Outro executivo, hoje ex-funcionário, só foi demitido depois de apalpar uma de suas subordinadas. 

Outro ponto levantado pelos empregados da Blue Origin diz respeito ao pouco caso da empresa frente ao aquecimento global. Os autores explicam que não há planos da Blue Origin para se tornar neutra em carbono ou reduzir significativamente sua “pegada” ambiental. Diz a carta:

Os bilionários podem gostar de se apresentar como altruístas, usando seus recursos em benefício da humanidade; em nossa opinião, porém, muito dessa imagem é uma ilusão criada por equipes de relações públicas, sustentadas pelo ego

.

Em resposta às acusações, um porta-voz da Blue Origin disse que

a Sra. Abrams foi demitida por justa causa há dois anos, após repetidas advertências por questões envolvendo regulamentações federais de controle de exportação

. A empresa também afirmou que não tolera situações de discriminação e assédio, e que a New Shepard é o veículo espacial mais seguro já projetado ou construído.




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